No seu artigo, A Produção da Terceira Idade: O discurso do especialismo, Adriana Miranda de Castro leva-nos a uma viagem histórica da velhice, desde sociedades antigas como Grécia e Roma, focando principalmente como o velho foi “perdendo importância” dentro do contexto político-social já dentro dessas sociedades que possuíam os anciões como representantes do povo e detentores de sabedoria. Passando depois, para a exposição da construção dos discursos gerontólogos e geriátricos com estudos do corpo, com mais intensidade no renascimento, no qual foram criados manuais de higiene de cuidado com o corpo, de cuidados com os velhos, começa-se a partir daí a surgir uma preocupação com essa população emergente sem posição social. Com a Revolução Industrial é que o velho torna-se ainda mais uma classe marginalizada, ou seja, ele não mais produz, ele não mais é uma força de trabalho, ele não mais é fonte de riqueza. O velho a partir de então se torna um problema social.
A produção de saber é o maior aliado dessa realidade, pois a partir da busca de controle, do positivismo, de uma ciência que busca uma produção de indivíduos normais, o velho passa a ser criança com regras estipuladas de como se devem cuidar, do que se deve dizer, de como devem se construir as relações com um corpo que está se dissolvendo para a morte, que sua única finalidade é o fim. Surgem, assim, as despesas com a aposentadoria, com programas sociais. Entretanto, a partir daí se cria uma nova nomenclatura para a velhice – a terceira idade, ou seja, a agora é uma fase “normal” do desenvolvimento de todos. A terceira idade é a fase entre a aposentadoria e a velhice, é um envelhecimento ativo. O velho/idoso passa a ser um velho/jovem com tempo ocioso que deve ser usado para descansar pelo tempo de trabalho. O velho/jovem tem que ser auto-suficiente, tem que possuir total independência. Dessa forma, ele não só deixa de ser um “estorvo” social, mas passa a ser consumidor assíduo.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
domingo, 1 de março de 2009
CONTEMPORANEIDADE E MODOS DE INSCRIÇÃO NO ESPAÇO URBANO (Resumo do CONPSI)
Esse trabalho objetiva descrever e analisar modos de inscrição no espaço urbano da cidade de Aracaju problematizando a produção atual de feiras livres dimensionada a uma história do espaço público. De acordo com Michel Foucault, a implementação de técnicas e procedimentos governamentais que visavam racionalizar e controlar problemas propostos por um conjunto de seres vivos, biopolíticas, se deu em meados do século XVIII ao passo da consolidação do Estado Liberal. Neste sentido, a medicina social possibilita um outro espaço urbano, diferente do medieval, através da idéia de salubridade e dos procedimentos vigilantes da higiene pública. Porém o espaço urbano moderno guarda ainda a possibilidade de invenção de si e do mundo no sentido esboçado por Virgínia Kastrup, pois a modernidade também produz híbridos, objetos que se furtam às simplificações. Para isso, utiliza a cartografia junto ao método etnográfico nos trabalhos de observação e confecção de diários de campo sobre as relações entre história, rua, feirantes, consumidores e comércio local na feira livre do bairro Castelo Branco, na capital sergipana. Em visitas semanais foi observado e registrado aquilo que se configura como cotidiano da feira, privilegiando o processo de construção das histórias ouvidas e recontadas a partir da experiência de inserção e intervenção no campo. Esta é uma pesquisa em andamento, assim, as atividades de campo continuam, articulando os afetos e os sentidos produzidos às referências bibliográficas que fundamentam esse trabalho. Ao longo das visitas à feira livre percebe-se uma utilização do espaço e modos de fazer que por vezes transbordam às normas e regulamentações sanitárias ditas pelo Estado. A vida se faz num espaço de tensão entre o esquadrinhamento, a vigilância, as normatizações higiênicas e as práticas cotidianas, como as conversas e as histórias que são tecidas pelas pessoas que fazem a feira. Assim, a rua é um campo de mistura, lugar de possibilidades que produz modos de existir e se relacionar. Ao tempo que esses modos outros inventam no cotidiano, histórias e resistências às formatações da vida no espaço público.
Palavras-Chave: cidade; história; feira livre; invenção de si.
Palavras-Chave: cidade; história; feira livre; invenção de si.
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