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domingo, 31 de maio de 2009

Das ruas. Das histórias.

Como a gente bem sabe, os trabalhos não obedeceram aos fechamentos trimestrais, pois o tempo inteiro era de uma outra ordem, na qual as palavras e as coisas se atravessavam e constituiam-se a medida que caminhávamos no processo fundando uma logica de funcionamento. Assim também vejo os limites dos planos ou mesmo das duas pesquisas, pois estes eram porosos possibilitando misturas, contaminações através do diálogo.
Abaixo estão alguns apontamentos (por)sobre o plano de trabalho ao qual me inscrevo. Penso que o tempo que nos resta pode servir pra efetuar alguns fechamento e possibilitar outros caminhos, já que daremos continuidade a pesquisa por mais um ano no mínimo. E aqui abro para os comentários.

...
Plano de trabalho: A rua, o espaço urbano e a história.

Agosto, setembro e outubro de 2008

Realizar levantamento bibliográfico relacionado à história do espaço urbano, bem como seus modos de funcionamento e de organização, compreendendo o mundo ocidental naquilo que se configura como medieval, moderno e contemporâneo.
Ler e fichar o material bibliográfico recolhido.
Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
Apresentar a cada mês, o resultado do trabalho, de modo que o grupo possa interagir com o mesmo que é específico de cada estudante.
Iniciar o processo de observação de campo e dos objetos que estão sendo problematizados no trabalho.
Participação no seminário de metodologia da pesquisa.

Acho que conseguimos realizar um levantamento bibliográfico de modo suficiente, porém poderíamos ter “perdido” um tanto mais de tempo em relação a ele. Reuniões realizadas com freqüência e com certeza de grande importância pra construção do trabalho. Apresentação e problematização do trabalho de campo realizada de corpo presente nas reuniões ou mesmo aqui pelo blog através dos diários de campo construídos no decorrer das observações.

Novembro, dezembro (2008) e janeiro (2009)

Produzir do relatório semestral a ser encaminhado ao Pibic.
Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
Observação sistemática (na feira-livre, semanalmente; e no bairro duas vezes por semana) do campo e dos objetos que estão sendo problematizados no trabalho.
Registro de imagens de cenas dos espaços observados.
Atividade de leitura e produção de textos

Relatório produzido. Reuniões freqüentes do grupo. As observações foram feitas semanalmente, na medida do possível, porém não foram efetuadas observações sistemáticas do bairro, a não ser ocasionalmente. Faltamos também quanto ao registro imagético.

Fevereiro, março e abril de 2009

Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
Iniciar processo de análise dos registros feitos durante o trabalho de observação.
Realização de entrevistas com feirantes e carroceiros.
Atividade de leitura e produção de textos
Realizar a transcrição das entrevistas.

Participação efetiva das reuniões de grupo. Imagino que o processo de análise se deu o tempo inteiro em que estivemos inseridos no campo, lendo, escrevendo, conversando. Entrevistas sistemáticas não foram realizadas, porém conversamos bastante com pessoas da feira e estas conversas foram descritas nos diários de campo.

Maio, junho e julho de 2009

Produção de relatório final.
Articulação desse plano de trabalho, com os demais planos envolvidos nessa atividade de pesquisa.
Produção de trabalhos acadêmicos que possam ampliar a discussão sobre os usos do espaço urbano na cidade de Aracaju.

Esta análise de nosso trabalho já faz parte do processo de produção de um relatório final. A articulação entre este plano e o de Mairla sempre existiu, pois trabalhamos juntos o tempo inteiro visto que nossos planos se atravessam. Trabalhos acadêmicos estão sendo pensados e outros já foram apresentados, além da participação em encontros discutindo cidade.

...
Achei ótima a idéia do Lázaro de colocar a bibliografia aqui, pode servir para perceber por onde estão indo meus pensamentos, bem como sugestão de leitura.

Pretendo incrementar o trabalho com mais história do espaço urbano, e aqui inclui o "Estatuto da cidade" - lei que regula o desenvolvimento urbano no pais. Essa história contada nos ajuda a pensar os modos como vivemos na cidade hoje e como se operam as invenções cotidianas que produzem história do presente. Alguns dos textos abaixo ainda não foram estudados, porém lidos, e pelo que eu vi podem ajudar na problematização a qual nos propomos.

Bibliografia:


AUGÉ, Marc. Por uma antropologia dos mundos contemporâneos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.
BAPTISTA, Luis A. A cidade dos sábios. São Paulo: Summus, 1999.
________. Walter Benjamin e os anjos de copacabana. in: Revista Educação Especial: Biblioteca do Professor n° 7, 2008.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 2007.
FOUCAULT, Michel. Resumos dos cursos do Collège de France. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
________.Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
________. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2007.
________. A vida dos homens infames. in: FOUCAULT, M. Ditos e Escritos IV: Estratégias poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1993.
KASTRUP, Virgínia. Funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. In: Psicologia & sociedade, v. 19, n. 1, p. 15-22, jan/abr. 2007a.
________. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Belo Horizonte: Autêntica, 2007b.
LAPLANTINE, François. A descrição etnográfica. São Paulo: Terceira Margem, 2004.
LOPES, Kleber Jean Matos. Modos de atenção na cidade além da conta: uma reflexão sobre lugares e não lugares. In: Revista estudos e pesquisa em psicologia – dossiê cidades. v. 7, n. 2. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2007.
________. Tal qual um Beatles na capa daquele álbum que não recordo o nome ou sobre as possibilidades de controle na cidade contemporânea. In: VASCONCELOS, J. G., ADAD, S. J. H. C. (orgs.). Coisas de cidade. Fortaleza: Editora UFC, 2005.
MACHADO, R. et alli. A (da)nação da norma: medicina social e constituição da psiquiatria no Brasil. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1978.
RAGO, Margareth. Libertar a história. in: RAGO, M; ORLANDI, B. L.; VEIGA-NETO, A. Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
RODRIGUES, Heliana de B. C. Para desencaminhar o presente Psi: biografia, temporalidade e experiência em Michel Foucault. in: Foucault e a Psicologia. Porto Alegre: Abrapso Sul, 2005.
RODRIGUES, José C. Higiene e ilusão: o lixo como invento social. Rio de Janeiro: NAU, 1995.
________. O corpo na história. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1999.
ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Sulina; Editora da UFRGS, 2007.
SALAZAR, Gabriel. Ferias libres: espacio residual de soberanía ciudadana. Colección Intervenciones en la Ciudad. Santiago de Chile: Ediciones SUR, 2004.
SARLO, Beatriz. Cenas da vida pós-moderna: intelectuais, arte e videocultura na Argentina. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2000.
SENNETT, Richard. Carne e pedra. Rio de Janeiro: Record, 2006.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ascese e bioasce na terceira idade ("reflexionando")


PLANO DE TRABALHO: A ascese na terceira idade

Agosto, setembro e outubro de 2008.
1) Realizar levantamento bibliográfico relacionado às experiências de ascese na história da filosofia e a implicação de seu uso nos modos de constituição de si e do espaço experimentado.
2) Ler e fichar o material bibliográfico recolhido.
3) Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
4) Participar duas vezes por mês de atividades junto ao grupo de terceira idade
5) Produção de diário de campo em relação à participação no grupo.
6) Participação no seminário de metodologia da pesquisa.

Novembro, dezembro (2008) e janeiro (2009).
1) Produzir do relatório semestral a ser encaminhado ao Pibic.
2) Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
3) Participar duas vezes por mês de atividades junto ao grupo de terceira idade.
4) Produção de diário de campo em relação à participação no grupo.
5) Registro de imagens de cenas dos espaços observados.
6) Atividade de leitura e produção de textos

Fevereiro, março e abril de 2009.
1. Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
2. Iniciar processo de análise dos registros feitos durante o trabalho com o grupo.
3. Participar duas vezes por mês de atividades junto ao grupo de terceira idade.
4. Produção de dinâmicas para o grupo de terceira idade. .
5. Atividade de leitura e produção de textos

Maio, junho e julho de 2009.
1. Produção de relatório final.
2. Articulação desse plano de trabalho, com os demais planos envolvidos nessa atividade de pesquisa, para efeito de produção do relatório final.



Dos pontos estabelecidos no plano de trabalho dá para apontar quatro que não foram cumpridos nos prazos determinados. Eles estao assinalados em negrito.

A respeito do primeiro ponto é crucial para a discussão sobre como se constitui a velhice nos dias de hoje. De certo modo, a discussão não foi de toda deixada de lado, a partir do texto de Francisco Ortega, da obra “Saber Envelhecer” de Cícero e – brevemente – com Rute Bacelar.

Bom, o ruim mesmo é que a discussão, assim parece estar sugerido no Plano, deveria ser sobre ascese de modo geral, não referindo-se exclusivamente à velhice. É mais ou menos esse o percurso feito por Ortega, mas, não tão profundamente quanto o necessário. Agora também não acho que se possa dar conta dessa profundidade, do mesmo modo que não tenho segurança o suficiente para teorizar sobre... Fico esperando Kleber sugerir. O que tocar a gente dança.
Quanto ao Seminário de Metodologia, lembro que era uma proposta de Kléber. Não sei do que se trataria.
...

O terceiro ponto, para mim, parece ser o mais complicado. Acredito que possa até analisar conceitos como “implicação”. “envolvimento”, “afetação”, durante os meses de freqüência ao grupo, mas acho muito difícil falar sobre a experiência de lá se referindo a ela como processo analítico da terceira idade. Pode ser resquícios de “tempos metodológicos” idos, mas prefiro acreditar nisso a cair na vã ilusão.

Não sem muito de desconfiança, até a próxima quarta tentarei recolher impressões, registros e dados e tentarei escrever algo parecido com “Resultados”. Acho posso prometer isso, apesar de saber que passa longe do melhor que poderia ter feito.

A respeito da produção de dinâmicas para os idosos, acho que os meninos tentaram isso no Lions, quando se pediu que levassem textos escritos por eles. Como já sabemos, a idéia não foi muito bem recebida. Como andei falando com algumas idosas e percebi uma certa dependência em relação ao Marcos para que qualquer coisa fosse feita, acho que seria ponto interessante para a discussão dos outros dois planos se referir à tentativa fracassada de introduzir atividades no grupo sobre a perspectiva de a aceitação dos idosos de uma atividade parecia atrelar-se à figura do dragão. Pode ser isso ou apenas desencargo de consciência...

Ainda sobre esse último ponto, estou tentado a dizer que ainda poder-se-ia dar conta dele. Especialmente agora que o grupo está praticamente desfeito (o que seria muito interessante para a pesquisa) e que ascese e bioascese se refeririam às vidas dos velhos e idosos para além das reuniões na terça. Se assim o fosse, ao invés de dinâmicas, poderia-se conversar com alguns deles. Se parece desmedido, desconsiderem...

Para acabar, fiquei intrigado com a afirmação de Kleber de que havíamos lido muito (achava eu que não o suficiente), então decidi catalogar o que li durante o ano de pesquisa. De certa maneira me confortei, mas uma coisa é ler sobre, outra é pesquisar sobre. Acho que não posso esquecer disso. Lá vão as referencias:
BACELAR, Rute. Envelhecimento e Produtividade: processos de subjetivação. Recife: FASA, 2002.
BARROS, M. M. L. de. Velhice na contemporaneidade. In: Família e envelhecimento. PEIXOTO, Clarice E. (org.). Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.
BOTELHO, J. A. Limites e possibilidades da terceira idade. IN: Revista Vita de Gestal-
CASTRO, A. M. A produção da terceira idade: o discurso do especialismo. (apresentação de comunicação oral). Caribe, 2004.
CÍCERO, M. T. Saber Envelhecer e A Amizade. Porto Alegre: L&PM, 2007.
Terapia. Ano I, n I, 2005
DALLA VECCHIA, R., RUIZ T., BOCCHI, S. C. M. e CORRENTE, J. E. Qualidade de vida na terceira idade. Revista Brás Epidemiol. 2005, 8(3): 246-52
FOUCAULT, M. Doença Mental e psicologia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
FOUCAULT, M. O Nascimento da Medicina Social. In: FOUCAULT, M. Microfísica do
Poder. Rio de Janeiro: Grall, 1993.
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas, São Paulo: Papirus, 1993.
JORNAL PUBLICO. Este país vai ter de ser para velhos (e todos os outros também). Tiragem:59760. Portugal, 10/04/2008.
KASTRUP, V. A cartografia como método. s/d.
___________ A invenção de si e do mundo. Uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Belo Horizonte: Autentica, 2007.
LAPLATINE, François. A descrição etnográfica. São Paulo: Terceira Margem, 2004.
ORTEGA, Francisco. Da ascese à bioacese ou do corpo submetido à submissão do corpo, In: Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. Orgs RAGO, M; ORLANDI, L. L. e VEIGA-NETO, A. Rio de Janeiro: DP&A, 2002 (pp. 9-20)
PINHEIRO JUNIOR, G. Sobre alguns conceitos e características de velhice e terceira idade: uma abordagem sociológica. In: Linhas, vol. 06, nº 01. Florianópolis 2004.
PRADO, Shirley D. e SAYD, Jane D. A pesquisa sobre envelhecimento humano
no Brasil: pesquisadores, temas e tendências.???????????????????????????
SOUSA, Manuela O Papel dos Avós na Sociedade Contemporânea. A União - Jornal Online, 29/07/2007. http://www.auniao.com/ler.php?id=5782

Feiras livres, higiene e modos de invenção de si

Vou seguir todo o texto com base na estrutura do plano de trabalho do projeto, ou seja, indicando as atividades de acordo com o esperado no trimestre (que no caso, são quatro). Citando as atividades, que acho, foram realizadas conforme planejávamos, as que não e como vejo que podemos melhorar isso na produção do relatório final.

Agosto, setembro e outubro de 2008
Realizar levantamento bibliográfico relacionado à história do espaço urbano e o investimento político-econômico sobre os procedimentos de salubridade, compreendendo o mundo ocidental naquilo que se configura como medieval, moderno e contemporâneo.
Ler e fichar o material bibliográfico recolhido.
Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
Apresentar, a cada mês, o resultado do trabalho, de modo que o grupo possa interagir com o mesmo que é específico de cada estudante.
Iniciar o processo de observação de campo e dos objetos que estão sendo problematizados no trabalho.
Participação no seminário de metodologia da pesquisa.


Nesse primeiro trimestre, vejo que as atividades de levantamento bibliográfico, leituras, participação de reuniões, inicio das observações no campo, confecção dos diários de bordo e mesmo a interação com o grupo foram realizadas de forma bastante proveitosa. Tivemos um aproveitamento de textos, por exemplo, a Invenção de si e do mundo da Kastrup, que passou de uma única leitura servindo como texto-base para a pesquisa.
Em relação ao meu relatório e esse material, poderia focar mais nas idéias trazidas pela Kastrup, como a analítica da verdade e ontologia do presente que acabei deixando para trás no relatório parcial. Vejo como umas das referências importantes para a pesquisa e essencial para continuidade e elaboração de trabalhos futuros. Além de ter me dado mais tempo nessa leitura e ter discutido em outros espaços que não nossas reuniões, ter ajudado a enxergar a feira com outros olhos, entender uma certa inventividade na nossa forma de trabalhar na feira, e como ela mesma se faz.
Sobre medicina social e controle dos corpos, do que nos fala Foucault, é o que eu preciso focar mais também no relatório final. Para fechar bem uma possível análise das condições daquilo que se produz como articulação entre as políticas de controle da vida e modos de invenção de si.

Novembro, dezembro (2008) e janeiro (2009)
Produzir do relatório semestral a ser encaminhado ao Pibic
Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
Observação sistemática (na feira-livre, semanalmente; e no bairro duas vezes por semana) do campo e dos objetos que estão sendo problematizados no trabalho.
Registro de imagens de cenas dos espaços observados.
Atividade de leitura e produção de textos

Daqui poderíamos destacar no relatório final como funcionou nossa produção do relatório parcial em grupo. A produção de textos sobre os relatórios um dos outros e a posterior publicação no blog nos rendeu bons comentários e uma maior aproximação com escrita do outro. Também destacar o blog como um prolongamento das nossas reuniões é um dispositivo importante para divulgação e amostra do trabalho que está sendo realizado.
O que ficamos em falta foi com o registro de imagens. Mas, como essa pesquisa terá continuidade para mais um ano, teremos tempo de planejarmos juntamente com as atividades propostas para tal. Outra coisa que não focamos muito também foi a visita ao bairro duas vezes por semana apesar de fazermos isso esporadicamente quando passávamos por ali. Mas não demos muito foco nesse ponto.



Fevereiro, março e abril de 2009
Participar das reuniões semanais do grupo de pesquisa.
Iniciar processo de análise dos registros feitos durante o trabalho de observação.
Realização de entrevistas com feirantes e carroceiros.
Atividade de leitura e produção de textos
Realizar a transcrição das entrevistas.

Aqui nesse trimestre ficamos em falta com as entrevistas e dirá sua transcrição. O que tenho duvidas se seriam mesmo realizadas e se estão planejadas para próximo ano.Lembrando de falar sobre o trabalho com as carroças que não conseguimos dar conta!

Maio, junho e julho de 2009
Produção de relatório final.
Articulação desse plano de trabalho, com os demais planos envolvidos nessa atividade de pesquisa.
Produção de trabalhos acadêmicos que possam ampliar a discussão sobre os usos do espaço urbano na cidade de Aracaju.

Nesse relatório final acho que o foco deve ser toda nossa experiência na feira falando mais dos acontecimentos, citando algumas histórias e situações. Como: surgimento da associação dos feirantes, a aumento do preço da banca, a morte da moça que vendia cocos, o aniversario de um ano sem luz de uma outra feira, a morte de um feirante em uma feira da cidade e pontuar como isso sustenta nosso olhar. Relatando e expondo nossas experiências na feira juntamente com as idéias de políticas de saúde publica e controle das vidas e do espaço, vamos deixando mais claro nossas intenção sobre o porquê de estudar o espaço o urbano. Carregar mais na descrição de como foi a observação na feira, a sua inserção nela, as interferências, as escutas, os relatos de histórias, os acontecimentos que consideramos importantes; enfim, isso tudo aponta para o que será nosso foco futuro e também as minhas principais intenções nesse trabalho.
Sobre a produção de trabalhos acadêmicos como diz James “trabalho, trabalho, trabalho” e estamos caminhando para isso.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

.s o b r e - v i d a s.

Do relatório A ascese na terceira idade, de Lázaro, me prendi na introdução nisso: “Como, diante de tantos avanços, sustentar a indelével certeza de que a vida se extingue?” E, pra mim, foi bem significativo porque antes mesmo de ler tinha assistido ao filme O curioso caso de Benjamim Button. Passei o resto dos dias pensando em minha velhice e como é deixar de fazer as coisas que quando nova fazia sem nenhum problema. Passar a me preocupar com o corpo de uma maneira que agora eu esteja sendo irresponsável. Será mesmo que acharei a melhor idade? Conseguir ser jovial e saudável como nos mostra a modernidade?

E porque não, não é? É no mínimo provocador: nós jovens problematizando sobre a terceira idade. A mim, causa um certo medo pensar em envelhecer. Sei lá como posso ficar! E ainda, hoje nos apresentam tantas alternativas para retardar o envelhecimento, tanta tecnologia, tanto avanço, que até esquecemos que “a vida se extingue”. Em pensar se poderei ficar que nem dona Joana! Com a maior disposição e bom humor do mundo. Cantando, dançando, fazendo exercícios... é muito encantador vê-los falar dos senhores do Lion’s. Muito impressionados, abestalhados com as histórias. Como esquecer a dona Gildete que listou horários dos bailes da terceira idade. E dos namoricos e malícias: “a gente tinha o dia inteiro...”. Belos encontros que nos rendiam apresentações de danças, de músicas e algumas imitações em nossas reuniões!

E o que mudou? Chegamos a um ponto em que não é preciso respostas. É só sentir mesmo. Não ter o que perguntar, não programar nada, apenas deixar acontecer as conversas pé de ouvido. E fascina mesmo. Tem que se deixar fascinar, se perder e se encontrar. Tomando suas palavras de um comentário sobre algum post seu.

Misturado (e sem passar batido) aos achados dos encontros, uma revisão que perpassa desde os primórdios em que os idosos eram vistos como os sábios da sociedade e mereciam respeito, à aqueles que ao Estado não interessavam, políticas eficientes de promoção da vida até o papel da mídia na modernidade na tentativa de evitar o envelhecimento e preocupações com a morte.

O relatório do Lázaro pra mim apontou pra uma preocupação com as histórias de vida, sobre experiências, com um cuidado muito maior com dispositivos que fazem esses espaços. Podendo ser de resistência ou não. Sobre vidas que têm um por que, talvez, de serem daquela forma. Por influência de uma mídia, do capitalismo, quem sabe! Ainda assim, são histórias a serem ouvidas porque nos são contadas. É dessa forma que se faz um conto: ponto por ponto.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sobre e numa feira

Onde, quando e como surgem as feiras? Mais ainda, como ela faz para sobreviver quando um movimento contrário e – aparentemente – muito mais forte age para tolher sua vivacidade? O que de tão poderoso está imerso no burburinho desvairado, supostamente desorganizado e (assim o querem) imundo dos mundos que compõem as feiras livres? Eis, de minha parte, aquilo que salta do texto-relatório “Feiras-livres, higiene e modos de invenção de si”.

Como fazer para responder a tais questões, a não ser indo ver, ouvir, tocar, sentir a feira? Foi o que fez a intrépida trupe de desvairados debutantes de pesquisadores. E, como já me fiz acreditar e valorizar há algum tempo, eles parecem ter descoberto muito mais interrogações e incertezas do que propriamente respostas. Ótimo exercício esse de sentir-se deslocado ou de estranhar e ser estranhado... Nele (no não saber o que fazer) descobrimos que a resposta a uma pergunta pode ser tantas outras.

Preciosos achados aparecem como o produto desses (des) encontros. E não falo dos sabores de queijos e biritas experimentadas – aliás, senti falta deles no relatório. Antes assim, falo dos dissabores: do lixo no chão que causa espanto, da faca “limpa” no pano sujo, da fedentina do banheiro químico. Mas também das conversas, do reconhecimento, da intimidade e das dinâmicas que movem a feira ou, paradoxalmente, daquelas que desejam paralisá-las – que diga a associação de feirantes!

Mas, o que seria a feira? Bom, o texto de Mairla aponta para a descrição dela como o lugar de encontro e resistência entre o novo e o antigo (o moderno e o medieval). É engraçado porque, enquanto escrevo isso ouço um sambinha intitulado “Coisa da antiga”.Um tempo em que palavra valia mais que milhão, em que liberdade era algo que se entendia e existia, é o que diz a canção. Eis a feira: coisa da antiga.

Mas, reconheçamos, nem todos têm a visão tão nostalgicamente bela do velho. É que hoje prefere muito mais o novo, sem saudosismo ou qualquer lembrança do que já foi, sob o risco de descobrirmos que esse novo não pode necessariamente significar progresso. A despeito disso, a feira resiste lá, com sua miscelânea de cheiros, sons e cores. E nessa profusão imergiram os tais pesquisadores, de maneira que não mais podem ser encontrados separados dela.

Firmaram raízes e disso resta-lhes tentar extrair dela o sumo que faz pulsar sua vida. Mergulhar ainda mais fundo no agora não tão desconhecido, mas ainda encantador e, por vezes, sufocante mar de gentes denominado Feira Livre do Castelo Branco. O relato da menina Protazio dá mostras de ser esse o percurso, vamos aguardar os próximos capítulos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Como por o tempo a nosso favor

O vento tem mania em querer anunciar o tempo. O vento muitas vezes confunde tempo e clima. Por certo o vento não se aplicou nas aulas de geografia, mas como não havia muito vento na tarde de terça-feira, dia 14/10/08...
Estávamos eu, Áurea, Lázaro e Thiago sentados no Lodinho no meio da tarde. Conversávamos sobre o que havia acontecido, alguns instantes antes: nossa participação na atividades de grupo de 3ª idade no Lions Club.
Chegamos juntos ao Club. A música já era entoada. Marcus batucando e uma senhora-pássado bradando sua melodia pelo galpão. Pararam para receber e conhecer o professor Kleber, que chegava ali para trazer a Psicologia para a rotina daquela atividade. Era assim que o Marcus, o professor Marcus, apresentava seu colega de trabalho. Havia também os estudantes: Thiago, Lázaro e Áurea.
Abraços e apertos de mão. A energia em acolher foi das melhores. A simpatia espontânea dos velhinhos fazia sucumbir o tom que os rituais de recebimento proclamam. O contágio era alimentado por uma disposição de bem-querer. O professor Kleber se pôs no muro e preferiu deixar acertos semântico-institucionais para depois, junto ao professor Marcus. Talvez por desconfiar que conversa entre dragões, muitas vezes é regada a fogo. A tarde já era mordacenta e não requeria calores outros além daquilo que se transfigurava numa humanidade despretensiosa dos velhinhos.
Iniciaram-se as atividades fim. Formação de uma roda, alongamentos e exercícios. Marcus puxava a musculatura do grupo, preparando-o para as danças que se seguiriam. Alongamento; essa é uma palavra importante. Tão importante que interrompe a descrição e leva essas linhas para fora desse tempo. Essa é uma palavra que pode mover as lógicas fisio e psico num aprendizado junto ao grupo dos velhinhos.
Marcus alonga-os para que cantem e dancem dispostos e também para que seus corpos não se lastimem quando o sangue esfriar e já estejam em casa, talvez desacompanhados. Velhos de até 94 anos. Velhos já bastante alongados por experiências de dificuldade que parecem guardar em comum. As suas fisio-nomias denunciam essa condição.
Já as sua psico-logias alongam-se noutra órbita. Difícil uma representação que se adéqüe rapidamente a um sentido que se faça verdade neles e não naquele que lhes quer interpretar. A psicologia, através de um professor e três alunos, precisa de mais tempo para lidar com essa condição.
Estranho que quando se precisa de mais tempo, ele se escasseia mais rapidamente. Os minutos passam como se fossem segundos. Não é simples efetuar traduções quando se trabalha contra o relógio. Daí a possibilidade de trabalhar com o tempo a nosso favor, que se deve problematizar.
Sou estagiário nessa matéria, mas o que creio ter aprendido, vou repartir aqui. Até para saber se esse é um saber que valha a pena.
Érico Veríssimo construiu linda obra articulando O tempo e o vento. Nessa obra, lembro de Um certo capitão Rodrigo. Homem de batalhas e sem tempo para o re-pouso. Homem que não acreditava em ventos que sopravam em uma única direção e tinham a pretensão de anunciar o tempo por viver.
_ Se tem governo, sou contra!
Ele era contra o instituído e centralizado, mas não fugia das batalhas.
A psicolofia-ufs não sabe ainda o que é governo instituído e centralizado no galpão do Lions.
Precisamos batalhar para saber do governo instituído e do governo de si (ascese) do que ali se faz. Precisamos soprar quando não há vento e algumas vezes fincar os pés no chão quando este quer carregar aquilo que não podemos perder.
Não é fácil ou simples, mas precisamos aprender a aprender as pessoas. Elas se movem, por isso é tão difícil. Entretanto, com o tempo a nosso favor...
Foi isso que aprendi!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

sobre o tempo e o fazer

"Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo (Caetano Veloso)". Na importância de ver o tempo, reside a possibilidade de análise. Tempo quieto e que passa: análise mansa, 3 por 4 de algo que supõe uma realidade. O tempo é sorrateiro, mas é também revolucionário. Ele nos deu um relógio para poder se esconder em nossas ações. Assim ele nos legou a velhice. Um conceito onde tudo que conta é o tempo e ele nem aí. Já havia avisado que a velhice é um estado de espírito. Coisas de quem pensa o tempo pelo espaço ou como diria Foucault; "o que estamos ajudando a fazer de nós mesmos?". Abraço!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

sobre o nosso diário de campo

Sob a égide do deus fascista Sol, viviam alguns tais aldeões. Esta era uma sociedade interessante onde todo trabalho era dividido em uma hierarquia rígida sobre a qual o deus Sol habitava o cume. Era a ele que as pessoas respondiam, porém eram respostas objetivas circunscritas nos limites da sua função específica. Não havia encontro muito menos diálogo, todos cumpriam as ordens cabisbaixos, no entanto redutíveis por não conhecerem tipo outro de experiência. Até que um dia, ao sabor do acaso, pela manhã, não se fez manhã e a noite perdurou dias. Sem um guia, líder, administrador/ditador que lhes dissesse o que fazer, como e quando e o que era ou não permitido, desataram a conversar entre si, inventar estratégias e fazer política. Definiram tarefas para a sobrevivência do grupo e a indicação sobre o que cada um faria. Dialogando, criaram nos arredores da aldeia uma espécie de diário sobre os fazeres cotidianos e ali residia uma potência que não aquela dos registros mudos e surdos, mas das vozes que faziam vibrar outros corpos dos que por ali passavam e liam. Corpos que por sua vez também falavam sobre o que reverberava, assim como possibilitava o encontro do outro com o que lhe é estranho através de seus enunciados. Munidos de voz, cada qual, em diferentes tons, carregava a força de produção da novidade no outro, mesmo se esta se restringia ao silêncio. O fim da centralidade do deus Sol possibilitara aos aldeões a voz e em conseqüência o encontro.